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domingo, 20 de abril de 2014

Até que ponto somos livres?



Até que ponto somos livres?

A liberdade pressupõe livre arbítrio,     que somos livres para tomarmos nossas escolhas e decisões, mas muitas vezes, as nossas decisões depende de fatores que não estão ao nosso controle, como fatores naturais ou eventualidades que poderão ocorrer concomitantemente no momento de tomarmos decisões. Como por exemplo, uma pessoa está decidida a viajar no dia seguinte, as malas estão prontas, mas à noite choveu muito, e a única estrada de acesso à sua cidade ficou interditada, em função da queda da ponte, então as nossas decisões, estão condicionadas a fatores que muitas vezes, são determinados por Deus. Como no poema de José Paulo “A torneira seca mas pior: a falta de sede”, ou seja, temos que ter sede de liberdade de conquistas, de mudanças, mesmo que abdicando de muitas coisas, mas nunca devemos ser inertes, toda conquista vem depois de muito sofrimento e resignações, pior do que a torneira seca é a falta de sede, pior do que a derrota ou decepção, é a desilusão de não ter tentado, aceitando a incapacidade diante  do pessimismo. A felicidade é subjetiva e um estado de espírito. No poema de Vicente de Carvalho “Existe, sim: mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”, significa que temos que encontrar a felicidade naquilo que temos e vivenciamos, a felicidade está nas pequenas coisas da vida, desde que saibamos contemplá-las, nem sempre uma mansão pressupõe felicidade, há diferença entre uma casa e um lar, casa é coisa material, e um lar é a convivência feliz entre os membros que nela vive. Se almejarmos aquilo que o outro tem, e não temos condições de comprar, sempre seremos infelizes. A felicidade é muito peculiar, tem pessoas que tem carros caríssimos, bens valiosos, e são descontentes, muitas vezes frustrados por não encontrarem a verdadeira felicidade, ao passo que tem outros que são felizes por ter acabado de conquistar seu objeto de desejo, como o vaqueiro que acabara de comprar um sela nova pro seu cavalo alazão, ou da mocinha que acabara de encontrar o livro de Poliana Moça, que tanto queria ler, e ainda no sorriso estampado no rosto do “muleque” que encontrou a figurinha do jogador que faltava, para completar o seu álbum da copa do mundo. Enfim, a felicidade tem que está com o que temos, onde nós estamos, e nunca podemos imaginar que seríamos felizes se fosse diferente, devemos sim, sempre procurar meios e maneiras de conseguirmos algo mais, mas que tenhamos a compreensão de que nem sempre as coisas acontecem da maneira que queremos.

Todos nós somos livres, seja para expressar nossos pensamentos, ideias, em forma de arte, artigos escritos, protestos, etc. desde que não agrida a ética, a moral e os bons costumes da sociedade como um todo. Porque nosso limite de direito, vai até onde começa o direito de outrem, então, nós temos direito, mas também temos deveres e regras que temos que cumprir, para que os nossos gritos e anseios de liberdade sejam ouvidos, é preciso antes de tudo, demonstrarmos civilidade e humanidade em nossas atitudes. O respeito é recíproco, só se conquista respeito, percorrendo e permeando com prudência, os caminhos que levam à conquista de uma democracia. No caso por exemplo do homossexualismo, que é uma questão muito pertinente no que diz respeito à liberdade. Todo ser humano, tem a liberdade de sua opção sexual, mas tem o dever de não se expor de maneira vulgar em lugares públicos, isso é que muitas vezes se confunde entre liberdade sexual e “libertinagem” toda exacerbação da emoção em lugares públicos, pode trazer desconforto para os demais que estão presentes, devemos conter as emoções em determinadas situações. Se um casal vai olhar um apartamento pra comprar, ainda que tenha gostado muito, não se pode demonstrar explicitamente o interesse por aquele imóvel, senão o corretor irá perceber que poderá majorar o preço, porque a esposa no seu momento de fraqueza, demonstrou que aquele é o apartamento dos seus sonhos.

Como a autora Marilena Chaui descreveu no capítulo 08 do livro Convite à Filosofia, que “não podemos ter atitudes ou a ilusão de que somos livres para mudar o nosso destino em qualquer direção que desejarmos, ou a resignação e a aceitação de que nada podemos fazer para mudar o nosso futuro. A liberdade, porém, não se encontra na ilusão do “posso tudo”, nem no conformismo do “nada posso”. Encontra-se na disposição para interpretar e decifrar os vetores do campo presente como possibilidades objetivas, isto é, como abertura de novas direções e novos sentidos a partir do que está dado”.

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