Para
que uma sociedade seja organizada e conquiste sua liberdade e democracia, é
necessário mudanças, e a primeira mudança parte da educação. Paulo Freire, com
seus métodos de ensino reconhecidos na África e em países da Europa como
Portugal e Espanha, com sua sensibilidade de ser humano, tinha o compromisso e o desejo que todos se
tornassem livres e independentes através da educação. Com a primícia de que o
indivíduo tinha o direito elementar de saber ler e escrever, para conhecer seus
deveres, mas principalmente seus direitos, dando mais dignidade e auto estima a
estas pessoas.
Por
ter vindo também da zona rural, já tinha vivenciado e conhecia de perto os
problemas e dificuldades para ter acesso à educação. Ele tinha consciência das
dificuldades, numa realidade onde muitas vezes o aluno frequenta a escola em
função da merenda, para complementar a alimentação que falta em casa. Mas era
perseverante na sua caminhada, usando de uma metodologia pedagógica, onde as
pessoas eram tratadas com igualdade, nivelando as pessoas dentro de uma
concepção humana e altruísta, aproximando as pessoas, para que a alfabetização conseguisse
chegar a todos, respeitando as especificidades e culturas locais, tentando
harmonizar crianças que vinham do meio rural, sem acesso às tecnologias e
muitas vezes sem saberem usar instalações sanitárias, com crianças que já
viviam no meio urbano, já familiarizados com as tecnologias modernas e mecanismos
e instrumentos que ainda não existiam nas zonas rurais. Usando de uma
metodologia sem causar um choque cultural aos alunos, diante da distancia
existente entre culturas tão diferentes, e atenuando os preconceitos sociais e
raciais transformando-os em crianças mais afetuosas e cidadãos críticos e
pensadores sobre sua visão de mundo, sabendo tomar suas próprias decisões,
cidadãos conscientes sobre a valorização e preservação dos recursos naturais, tendo
a noção de desenvolvimento sustentável, para a sobrevivência do ser humano e do
planeta em que vivem.
Aproveitando
e levando em conta a habilidade individual de cada um para que se desenvolvam
dentro das suas capacidades, sendo o aluno o próprio arquiteto de suas idéias,
sendo apenas monitorado e mediado pelo
pedagogo, usando a curiosidade inerente a todo ser humano, para os tornarem
seres acabados , e pensantes, tendo a educação como alicerce e alavanca de
ascensão social, “Ensinando o que o aluno
vai usar, que vai ser útil pra ele
dentro do cotidiano da realidade que ele vive, senão estaremos despejando
informações que sabemos mas que não servirão pra nada não vai ter o retorno
esperado”.



